terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Memórias de um folião






Durante muitos anos tínhamos em Lages o carnaval de rua. Era algo que agregava valor cultural a um determinado segmento da sociedade, como os afrodescendentes. Sendo este o momento em que grupos sociais se reuniam para mostrar as novidades em termos de samba enredo, comportamento e estilo. Se bem me lembro eram vários as agremiações como: Unidos do Ritmo Castro Alves, que representava o Clube Cruz e Souza, no centro; a Sete de Setembro e Unidos da Vila, do bairro Popular; Protegidos de São Carlos, do bairro Habitação; Tenda do Batuque, bloco do Bola Preta e finalmente a Escola de Samba Princesa Isabel, do bairro da Brusque. Havia uma movimentação intensa na periferia da cidade em virtude do carnaval.

O último grande desfile oficial com apoio do poder público, que me recordo de ir assistir talvez tenha sido no ano de 2006. Pois, nos anos seguintes com a morte de alguns carnavalescos o movimento foi arrefecendo em Lages. Faltou renovação! Embora tenhamos tido alguns momentos sublimes de nostalgia aos antigos bailes de carnaval. 

Talvez hoje não haja mais aquela paixão genuína de outrora. Acredito que para ser um bom carnavalesco antes de mais nada tem que ser empreendedor. Pois a cultura como tudo em nosso país, nada mais é que um “negócio”. É preciso se inteirar dos assuntos, saber que os recursos destinados para este fim, precisam ser bem empregados. No entanto nem sempre isso acontece. Pois, há profissionais que deixam muito a desejar no quesito administrativo. Há entidades que deixam de prestar contas do dinheiro (público), e não o utilizam para os devidos fins, o que faz com que a comunidade fique privada de participar desta festa popular. 

E não há nada demais em ter um bloco na rua. Sair para brincar o carnaval que é uma festa profana, feita para o povo se divertir. Mas como em qualquer evento, sempre tem os que causam vandalismo e danos ao patrimônio público. Por isso todo cuidado é pouco. Embora sempre houvesse o apoio da segurança pública.

Nos dias que ocorriam o desfile, as ruas eram devidamente fechadas para o carnaval. As pessoas começavam a chegar, vindas de todos os cantos da cidade. Todos queriam mesmo era extravasar a alegria e curtir a marchinha do momento. Nos concursos promovidos pelos clubes, havia participantes que eram contratados exclusivamente para o desfile de rua. Carnavalescos que vinham de outras cidades catarinenses, apresentar suas fantasias glamorosas para o deleite da comunidade. 

E quem não se lembra das tardes de domingo em frente ao Clube 14 de Junho, na rua Correia Pinto, onde diversos blocos de sujos permaneciam fazendo provocações ao público presente até a abertura do desfile. Todos devidamente paramentados para curtir uma bela noite de carnaval. 







Fotos: Sandro Scheurmann/2016 




terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Fé na jornada da vida






Nada melhor do que curtir as férias no litoral de Santa Catarina. E foi assim em janeiro de 2013, quando fui surpreendido por uma atendente no Santuário de São Judas Tadeu em Lages, que me convidou para ir numa excursão que fariam para Florianópolis.

Mais que depressa respondi que sim! Gostaria muito de ir com aquele grupo de jovens. Mesmo sem conhecê-los sei que seria muito interessante estar com essa galera. E de fato foi inesquecível! Saímos no sábado logo após o meio-dia num ônibus fretado. 

Fomos orientados pelo pároco da Catedral, Carlos Pamplona que muito gentilmente acompanhou o grupo que eram em sua maioria jovens e alguns até estavam acompanhados pela mãe. O que fez com que a viagem fosse de fato um encontro familiar.
Seguimos alegremente rumo à Florianópolis e ainda podíamos degustar os doces de armazém que havia numa caixa que foi deixada para consumo dos passageiros. Dentre as pessoas que estavam no ônibus, havia um jovem que tocava violão e era muito benquisto pelo grupo. Mateus ficou encarregado de entreter os jovens. E por ser um rapaz atraente conquistava a todos pela sua simpatia. Não era por acaso que todos gostavam de ouvi-lo tocar suas canções preferidas.  

Há muitos anos que eu não ia para Florianópolis curtir uma praia. E aquele fim de semana foi sensacional. Não somente por estar em companhia daquelas pessoas, mas também em poder desfrutar de um domingo ensolarado. O pároco sempre muito festivo, sob o guarda-sol observava seus pupilos que se banhavam no mar da Praia do Matadeiro. O sol era intenso e fiquei com a pele ainda mais bronzeada. É um privilégio para um lageano poder curtir um fim de semana na praia. Não há nada mais contagiante que estar entre amigos e se divertir. Só tínhamos a agradecer pela oportunidade que tivemos.

Na noite anterior fomos na Arena São José para receber a cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora - a qual já havia percorrido as principais cidades do estado e na ocasião estava sendo apresentada à comunidade de Florianópolis no evento Bote Fé. Havia caravanas de todo estado reunidos para uma missa de ação de graças. Foi indiscutivelmente uma grande celebração.

A cruz peregrina ainda teria que seguir para outros estados e finalmente estar no Rio de Janeiro entre os dias 23 e 28 de julho de 2013 para a Jornada Mundial da Juventude. Evento católico que contou com a presença do Papa Francisco e reuniu milhares de pessoas na praia de Copacabana.








Fotos: Arquivo pessoal 





terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Sonhos em Preto e Branco





Nem sei por onde começar! Aliás, tenho dificuldades com recomeços! Alguém me diga o que devo fazer? Estou sem planos, não tenho ideias. A vida é enfadonha, tediosa, sem graça!

Ainda permaneço aqui nesta cidade de interior. Poderia ter ido embora, tentar a sorte em algum lugar. Talvez eu possa um dia sair dessa “masmorra” em que me encontro. Uma xícara de café com pão caseiro são alguns dos mimos de minha mãe. Esta é a imagem que guardo na memória. Quero estar pleno para alcançar o “nirvana”. Ter uma experiência extra corporal.

Sonhos em preto e branco me guiam pela noite escura, em que minha vida se tornou desde que você se foi. Agora eu entendo que preciso de colaboradores, trabalhadores de última hora que veem em meu auxilio.

Numa manhã de segunda-feira pouca coisa interessa para quem acorda sem projeto algum. Quando a vida perde o sentido e queremos imediatamente chegar ao fim. Por isso é preciso manter-se ocupado, ter a mente fértil; alimentar-se para obter forças para seguir adiante. E esse é o princípio de tudo, essa vida entediante, onde não há beijo e nem despedidas. Um choro invade a casa e me diz que é minha ruína.

Caminho no fim de tarde por ruas esquecidas, ruas empoeiradas, por onde há apenas pedregulho e valas cheias de entulhos. Meus dias são melhores quando tenho pequenos afazeres e no fim do dia me dirijo sem pressa para bater o ponto. Tenho de prestar contas das coisas que faço!

Estou em desequilíbrio constante. Ouço o canto de pássaros no terreno baldio. As lembranças que permeiam ao meu redor exigem de mim um pouco mais de concentração. Talvez eu nunca seja quem eu gostaria de ser, como um poeta a contemplar o infinito.

Quantas vezes eu preciso dizer: “Eu te amo! ” E isso basta!
- Ao sair não bata a porta. Vou te esperar! Hoje tem cachorro-quente e suco de laranja para o jantar.



Foto: Lages/ Arquivo pessoal 



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Um novo tempo começou


Poema 


Carlos Camargo 

Novos caminhos que se abrem
Para que possamos seguir adiante
Não seja tolo a vida é o que é
E pede que tenhamos atitude!

Te procuro por ruas vazias  
Vejo luzes que se acendem
Nos sobrados 
Meus olhos ardem num clarão
E disparam raios na imensidão

Feliz ano novo, meu amor!
Vamos escrever uma nova história
Apague todo o mal
Que ainda resta em sua memória

E não importa se ficamos
Perdidos na contramão
Sei que agora é tempo
De ir em busca de uma solução

Ainda nos resta uma saudade
De tudo o que fizemos até então
Foi bom enquanto durou, acorde!
- Um novo tempo começou



          Foto: Fazenda Lua Cheia/ Lages SC





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