Nem sei por onde começar! Aliás, tenho dificuldades com
recomeços! Alguém me diga o que devo fazer? Estou sem planos, não tenho ideias. A
vida é enfadonha, tediosa, sem graça!
Ainda permaneço aqui nesta cidade de interior. Poderia ter
ido embora, tentar a sorte em algum lugar. Talvez eu possa um dia sair dessa
“masmorra” em que me encontro. Uma xícara de café com pão caseiro são alguns dos
mimos de minha mãe. Esta é a imagem que guardo na memória. Quero
estar pleno para alcançar o “nirvana”. Ter uma experiência extra corporal.
Sonhos em preto e branco me guiam pela noite escura,
em que minha vida se tornou desde que você se foi. Agora eu entendo que preciso
de colaboradores, trabalhadores de última hora que veem em meu auxilio.
Numa manhã de segunda-feira pouca coisa interessa para quem
acorda sem projeto algum. Quando a vida perde o sentido e queremos
imediatamente chegar ao fim. Por isso é preciso manter-se ocupado, ter a mente
fértil; alimentar-se para obter forças para seguir adiante. E esse é o princípio
de tudo, essa vida entediante, onde não há beijo e nem despedidas. Um choro invade a casa e me diz que é minha ruína.
Caminho no fim de tarde por ruas esquecidas, ruas empoeiradas,
por onde há apenas pedregulho e valas cheias de entulhos. Meus dias
são melhores quando tenho pequenos afazeres e no fim do dia me dirijo sem
pressa para bater o ponto. Tenho de prestar contas das coisas que faço!
Estou em desequilíbrio constante. Ouço o canto de pássaros
no terreno baldio. As lembranças que permeiam ao meu redor exigem de mim um
pouco mais de concentração. Talvez eu nunca seja quem eu gostaria de ser, como um poeta a contemplar o infinito.
Quantas vezes eu preciso dizer: “Eu te amo! ” E isso
basta!
- Ao sair não bata a porta. Vou te esperar! Hoje tem
cachorro-quente e suco de laranja para o jantar.
Foto: Lages/ Arquivo pessoal

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