Durante muitos anos tínhamos em Lages o carnaval de rua. Era
algo que agregava valor cultural a um determinado segmento da sociedade, como os
afrodescendentes. Sendo este o momento em que grupos sociais se reuniam para
mostrar as novidades em termos de samba enredo, comportamento e estilo. Se bem me lembro eram vários as agremiações
como: Unidos do Ritmo Castro Alves, que representava o Clube Cruz e Souza, no
centro; a Sete de Setembro e Unidos da Vila, do bairro Popular; Protegidos de
São Carlos, do bairro Habitação; Tenda do Batuque, bloco do Bola Preta e finalmente
a Escola de Samba Princesa Isabel, do bairro da Brusque. Havia uma movimentação
intensa na periferia da cidade em virtude do carnaval.
O último grande desfile oficial com apoio do poder público, que
me recordo de ir assistir talvez tenha sido no ano de 2006. Pois, nos anos
seguintes com a morte de alguns carnavalescos o movimento foi arrefecendo em Lages.
Faltou renovação! Embora tenhamos tido alguns momentos sublimes de nostalgia
aos antigos bailes de carnaval.
Talvez hoje não haja mais aquela paixão genuína
de outrora. Acredito que para ser um bom carnavalesco antes de mais nada tem
que ser empreendedor. Pois a cultura como tudo em nosso país, nada mais é que
um “negócio”. É preciso se inteirar dos assuntos, saber que os recursos
destinados para este fim, precisam ser bem empregados. No entanto nem sempre
isso acontece. Pois, há profissionais que deixam muito a desejar no quesito
administrativo. Há entidades que deixam de prestar contas do dinheiro
(público), e não o utilizam para os devidos fins, o que faz com que a
comunidade fique privada de participar desta festa popular.
E não há nada demais em ter um bloco na rua. Sair para
brincar o carnaval que é uma festa profana, feita para o povo se divertir. Mas
como em qualquer evento, sempre tem os que causam vandalismo e danos ao
patrimônio público. Por isso todo cuidado é pouco. Embora sempre houvesse o
apoio da segurança pública.
Nos dias que ocorriam o desfile, as ruas eram devidamente
fechadas para o carnaval. As pessoas começavam a chegar, vindas de todos os
cantos da cidade. Todos queriam mesmo era extravasar a alegria e curtir a marchinha do momento. Nos concursos promovidos pelos clubes, havia participantes que eram contratados exclusivamente para o desfile de rua. Carnavalescos
que vinham de outras cidades catarinenses, apresentar suas fantasias glamorosas
para o deleite da comunidade.
E quem não se lembra das tardes de domingo em
frente ao Clube 14 de Junho, na rua Correia Pinto, onde diversos blocos de
sujos permaneciam fazendo provocações ao público presente até a abertura do desfile.
Todos devidamente paramentados para curtir uma bela noite de carnaval.
![]() |
| Fotos: Sandro Scheurmann/2016 |





Nenhum comentário:
Postar um comentário