segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Conto de Natal





Carlos Camargo 

O Natal faz com que as pessoas se tornem mais dóceis. Nesta época todos tendem a ser mais solidários e compreensivos. E obviamente que não poderia ser diferente com dona Eloá. Mãe, mulher, empregada doméstica. Desde que houve aquele incidente no calçadão, viu a cidade passar por transformações inesperadas e desnecessárias para este momento. Imagine ver a escola onde seus filhos estudaram, sendo agora demolidada para dar lugar à uma nova praça totalmente revitalizada.  

- Mas, isso é para quando? Será que sai mesmo? – Dizia um comerciante.

E dona Eloá gostaria mesmo de ver sua cidade cheia de luzes. Ainda mais numa época tão especial como é o Natal. Onde as pessoas outrora se visitavam, se saudavam umas às outras, e até doam seu tempo. Mas ás vezes parece que esses valores se perderam.   

- É tão bonito ver o sorriso das crianças! – Diz Eloá que carinhosamente abraça seu filho de sete anos em frente à Catedral.  

Na manhã de segunda-feira enquanto prepara o almoço na cozinha da casa onde trabalha Eloá liga seu radinho de pilha para ouvir o programa matinal. “A cidade está feia, sem vida!" “Tudo parece tão triste”. Reclamam os ouvintes! Onde estão as luzes de Natal? No ano passado ao menos havia o túnel encantado. E agora? Não há nada!

No fim da tarde ao descer a rua Caetano Vieira da Costa, com seu filho Lucas, percebe que já deram início às comemorações natalinas no Parque Jonas Ramos, o Tanque.

- O que é isso, meu Deus! Esses anjos no meio do lago? – Se indigna quando chega no parque.
                 
E realmente não há nada de angelical. Mas isso ainda é o de menos, perto da insatisfação das pessoas em torno deste evento natalino.

- Parece como aqueles bonecos de Olinda! Rá, rá, rá! Com certeza faria muito sucesso no carnaval! – Responde Lucas.

- Sabe que é mesmo meu filho! - E caem na risada! 

O Natal segue um pouco desmotivado para alguns. Mas o verdadeiro sentido do Natal está no gesto de compaixão para consigo mesmo e com o semelhante. Muitos se contentam com uma bela ceia e com os presentes sob a árvore. Mas o que realmente representa a magia da noite de Natal? Com suas luzes coloridas, o presépio, a estrela de Belém e uma fonte de água límpida para simbolizar a força da vida.

Dona Eloá, entra com seu filho na Catedral e se depara com o presépio. Lê a seguinte mensagem: “Eis o menino que agora renasce em nossos corações, para nos renovar a força e coragem”.

E desta maneira dona Eloá, volta para sua casa, alegre em poder curtir a magia da noite de Natal, com seu filho, que se deixa fotografar ao lado de uma árvore, numa noite enluarada, na praça da matriz. 












Fotos: Carlos Camargo 


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Espaço de integração e cultura





Carlos Camargo 

Depois de um longo período sem novidades para os usuários, a Biblioteca Pública de Lages agora está sob nova direção. No próximo ano pretende transformar-se num local de cultura, música e lazer. E para dar início à esta nova fase, o professor de xadrez Marco Cordeiro em parceria com os alunos e a coordenação da biblioteca se reuniram nesta sexta-feira (15) para um coquetel de encerramento. 

Marco destaca que “o ano foi muito produtivo em se tratando de aprendizado junto aos jovens que frequentam as aulas de xadrez na biblioteca”, sendo possível a todos usufruir deste serviço que é promovido pela Secretaria de Educação.

Com a exposição de trabalhos escolares e contação de histórias a biblioteca deixou de ser um ambiente ocioso e sem atrativos e passou a receber estudantes e pessoas interessadas, chegando em torno de 1.200 visitas ao mês.

A confraternização de encerramento das aulas de xadrez, contou também com a presença da coordenadora Teka Branco que fez questão de elogiar a todos pelo empenho desenvolvido ao longo do ano. “A biblioteca precisa voltar a ser um espaço de integração e cultura entre estudantes e comunidade”.

Sem dúvida, umas das novidades para o ano de 2018, é levar leitura e aulas de xadrez para os bairros e escolas itinerantes. A biblioteca também pretende abrir suas portas aos domingos, ao menos uma vez por mês. Nesta ocasião, poderão ser apresentados eventos culturais. O que possibilitará um maior envolvimento e uma opção de lazer para a comunidade. 





segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A Praça é para todos





Carlos Camargo 

Se pudéssemos parar o que estamos fazendo para falar sobre os problemas em nossa cidade, ficaríamos por horas e horas a divagar sobre diversos assuntos. 

Mas um que merece destaque esta semana é a “praça João Costa” - o calçadão - que em breve vai passar por uma grande revitalização com um projeto arquitetônico já aprovado pelo bolso do contribuinte. Acredito que nos próximos anos já teremos uma praça totalmente repaginada e digna dos moradores da cidade de Lages.

Se bem me lembro desde que eu era criança a praça permanece com as mesmas características. A última reforma foi na década de 70, na administração de Dirceu Carneiro e Juarez Furtado. A mesma lajota, as mesmas árvores, os mesmos canteiros, a velha estátua de Nereu Ramos (que pretendem transferir de local), o que seria desnecessário, pois faz parte de nossa história.

"Onde estão os órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio público"?  




Lembro quando eu era adolescente que havia na praça muitos engraxates. Eu até pensava em ser como um deles, ter minha própria caixinha e ir para as ruas ganhar um troco.

- Nada disso, guri. Os engraxates são muito malandros. E ainda fumam. – Dizia minha tia Tereza. - E logo eu tirava aquela ideia da cabeça.

Na praça é onde tudo acontece. É onde se encontram os antigos proprietários de fazenda  para discutir o preço da saca de feijão e negociar cabeças de gado.  Pois era uma época que hoje nos parece nostálgica, onde a cidade contava com o antigo Café Ouro, na esquina onde hoje se instalou uma farmácia. Um ambiente onde muitas pessoas se encontravam para um café expresso, conversar, fazer um lanche ou tomar um sorvete.

São muitas lembranças que essa praça nos proporciona, principalmente aos conterrâneos e antigos moradores. A começar pela escola pública Aristiliano Ramos, onde estudei no ano de 1995, para concluir o ensino médio. Esta escola foi um educandário muito importante para os lageanos, onde funcionou ativamente até o ano de 2010, quando foi embargado pelo Ministério Público, por conta de a infraestrutura estar inapropriada para funcionamento.  




Até anteontem quando passávamos pela praça João Costa nos deparávamos com o prédio fechado aguardando uma resolução, a qual foi concedida para que efetuem a demolição do prédio, que está sendo executada no momento em que confecciono este texto.

A praça João Costa, hoje já não tem mais atrativo nenhum, é como se estivesse abandonada. As pessoas que chegam em Lages, se deparam com algo triste, e que precisa urgentemente de uma revitalização, cujo projeto já notório, aguarda licitação.

Vejo que neste instante o prédio veio abaixo, impossibilitando até de reaproveitar suas ruínas como material reciclado. Muitas pessoas olham para o alto indignadas com a truculência do poder público e o progresso que às vezes tarda em chegar.

E para onde irão os pássaros que sobrevoavam por nossas cabeças quando por ali transitávamos? Talvez tenham que migrar para outras praças, assim como os pais, se quiserem ter onde passear com seus filhos para dar milho aos pombos. 













Fotos: Carlos Camargo 





Exposição: Viajante no Centro Cultural em Lages

Exposição: Viajante de Carlos Vergara no Sesc  Divulgação  Na noite de quinta-feira (7), foi realizado no Centro Cultural ...