Filme lageano leva público recorde ao Cine Marrocos
Na última sexta-feira (23), estreou no Cine Marrocos em Lages, o filme A Voz da
Cidade. Um média-metragem de Marcelo Machado, que narra a chegada do fundador da Rádio Clube e posteriormente do grupo SCC em
Santa Catarina - o paulista Carlos Joffre do Amaral que se radicou em Lages, e
foi por assim dizer um entusiasta da comunicação. A história se passa no fim
dos anos 30, e mostra os primeiros passos do que viria a ser a rádio de maior
audiência em nossa cidade.
Na película de 50 min, vemos um hóspede num quarto de hotel
– muito comum na época em que a cidade era tida apenas como ponto de
descanso para os tropeiros. Em suas andanças pela cidade, o turista se
surpreende com a popularidade da rádio que atua em Lages desde 1947 e tem no
seu quadro de funcionários um dos locutores mais longevos, Manoel Correia,
indicado no RankBrasil - Livro dos recordes - em 2009, como o locutor mais
antigo do Brasil.
O teatro amador em Lages já revelou nomes que nunca
obtiveram reconhecimento, talvez por ser esta, uma arte que não encontra muito respaldo do poder público e nem da inciativa privada. Os poucos que se atrevem a
transitar por esta seara, encontram pelo caminho muitos obstáculos. Mas ainda
assim tivemos no passado momentos de euforia com o finado Festival Estudantil
de Teatro de Lages – Fetel.
Em A Voz da Cidade, fica evidente a sutileza em
transmitir a mensagem, portanto o que me intrigou foi a falta de profundidade
nos diálogos. Em algumas sequências até a falta deles. Mas em se tratando de um
trabalho colaborativo e sem fins lucrativos, isto é, independente, não
podemos exigir muita coisa. O que está feito, está feito! E, diga-se de
passagem, de maneira delicada e sem grandes pretensões.
A obra peca em alguns momentos, com por exemplo na trilha sonora, que é
repetitiva e insiste em preencher espaços vazios. Talvez para ajudar na
narrativa, que foca na chegada do protagonista interpretado pelo ator Jhonson
Sadao, que mesmo muito jovem dá o seu recado, sendo abordado na sequência por
um engraxate (Augusto Furtado) cheio de estilo para a época.
Por alguns momentos achei que na década de 30, só existisse a família
Amaral na cidade. Pois não se vê quase a população em geral. A
praça da matriz era o reduto de alguns poucos privilegiados de classe mais
abastada e principalmente composta de brancos.
É claro o orçamento de um filme, influi no processo de produção. E também na elaboração de um bom roteiro e edição. A cena da família em casa se tornou um pouco
incômoda com o ruído das xícaras e talheres. Mas o filme também tem seus
pontos altos no figurino e na fotografia de Jary Carneiro Jr., já acostumado a colaborar com
a classe artística local.
Para quem curte cinema e sabe da dificuldade que é
produzir uma película, o filme não se priva de atuações bem-humoradas como por
exemplo dos personagens interpretados por Adilson Freitas e Gilson
Oliveira (da dupla Testa e Lampião). Isso sem contar do sotaque do gringo da
Lanchonete (Robson Andrade), e da participação da contadora de histórias Ivone Balzan, o que
garante a credibilidade no projeto. Assim como os demais colaboradores e
figurantes que com entusiasmo demonstram muito empenho em fazer o seu melhor.
Está aí, mais uma obra protagonizada pelo Coletivo Audivisual Lageano (CAL), e que
promete ser mais um, dos muitos que virão. Acredito que a partir desta
inciativa possamos ter obras ainda mais ousadas e que venham a contribuir
com a cultura regional catarinense.






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