terça-feira, 6 de março de 2018

Fidelidade com a história


Filme lageano leva público recorde ao Cine Marrocos 



Na última sexta-feira (23), estreou no Cine Marrocos em Lages, o filme A Voz da Cidade.  Um média-metragem de Marcelo Machado, que narra a chegada do fundador da Rádio Clube e posteriormente do grupo SCC em Santa Catarina - o paulista Carlos Joffre do Amaral que se radicou em Lages, e foi por assim dizer um entusiasta da comunicação. A história se passa no fim dos anos 30, e mostra os primeiros passos do que viria a ser a rádio de maior audiência em nossa cidade. 

Na película de 50 min, vemos um hóspede num quarto de hotel – muito comum na época em que a cidade era tida apenas como ponto de descanso para os tropeiros. Em suas andanças pela cidade, o turista se surpreende com a popularidade da rádio que atua em Lages desde 1947 e tem no seu quadro de funcionários um dos locutores mais longevos, Manoel Correia, indicado no RankBrasil - Livro dos recordes - em 2009, como o locutor mais antigo do Brasil.

O teatro amador em Lages já revelou nomes que nunca obtiveram reconhecimento, talvez por ser esta, uma arte que não encontra muito respaldo do poder público e nem da inciativa privada. Os poucos que se atrevem a transitar por esta seara, encontram pelo caminho muitos obstáculos. Mas ainda assim tivemos no passado momentos de euforia com o finado Festival Estudantil de Teatro de Lages – Fetel.

Em A Voz da Cidade, fica evidente a sutileza em transmitir a mensagem, portanto o que me intrigou foi a falta de profundidade nos diálogos. Em algumas sequências até a falta deles. Mas em se tratando de um trabalho colaborativo e sem fins lucrativos, isto é, independente, não podemos exigir muita coisa. O que está feito, está feito! E, diga-se de passagem, de maneira delicada e sem grandes pretensões.

A obra peca em alguns momentos, com por exemplo na trilha sonora, que é repetitiva e insiste em preencher espaços vazios. Talvez para ajudar na narrativa, que foca na chegada do protagonista interpretado pelo ator Jhonson Sadao, que mesmo muito jovem dá o seu recado, sendo abordado na sequência por um engraxate (Augusto Furtado) cheio de estilo para a época.

Por alguns momentos achei que na década de 30, só existisse a família Amaral na cidade. Pois não se vê quase a população em geral. A praça da matriz era o reduto de alguns poucos privilegiados de classe mais abastada e principalmente composta de brancos. 
É claro o orçamento de um filme, influi no processo de produção. E também na elaboração de um bom roteiro e edição. A cena da família em casa se tornou um pouco incômoda com o ruído das xícaras e talheres. Mas o filme também tem seus pontos altos no figurino e na fotografia de Jary Carneiro Jr., já acostumado a colaborar com a classe artística local.  

Para quem curte cinema e sabe da dificuldade que é produzir uma película, o filme não se priva de atuações bem-humoradas como por exemplo dos personagens interpretados por Adilson Freitas e Gilson Oliveira (da dupla Testa e Lampião). Isso sem contar do sotaque do gringo da Lanchonete (Robson Andrade), e da participação da contadora de histórias Ivone Balzan, o que garante a credibilidade no projeto. Assim como os demais colaboradores e figurantes que com entusiasmo demonstram muito empenho em fazer o seu melhor.

Está aí, mais uma obra protagonizada pelo Coletivo Audivisual Lageano (CAL), e que promete ser mais um, dos muitos que virão. Acredito que a partir desta inciativa possamos ter obras ainda mais ousadas e que venham a contribuir com a cultura regional catarinense.











Fotos: Divulgação/ A Voz da Cidade



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