Carlos Camargo
Quando não se tem para onde ir qualquer lugar serve? Acredito que em toda
cidade interiorana seja assim, quase
não se tem opções de lazer. Mas é claro que isso depende do poder aquisitivo, da
classificação etária e do horário. Percebo às vezes que estou sem disposição para
ir em eventos públicos. Mas sempre que possível procuro ir mesmo assim.
Como de costume estive neste sábado (04), no Teatro do Sesc da Avenida Dom
Pedro II, onde estaria sendo realizado a gravação do CD e DVD - Guitarras da
Serra. Um projeto cultural de instrumentistas locais que curtem o mesmo estilo
de música.
O Teatro do Sesc ainda é o local mais aprazível que temos em
Lages para eventos teatrais, de música e cinema, quem nunca esteve lá, precisa encontrar
um tempinho na agenda e conhecer este lugar. O evento que estava marcado para às 7 da noite iniciou com meia
hora de atraso. Na entrada encontro um amigo que diz: - O horário é 19h e não
às 20h como estava no cartaz.
- Ok! Vamos lá então. Acho que os músicos já estão prontos
para a performance.
O palco muito bem produzido, com iluminação adequada, também
pudera, se estamos tratando da gravação de um DVD, que segundo os produtores estará
disponível assim que possível, nas plataformas digitais. É preciso convir, que
é muita generosidade em se tratando de músicos lageanos. Com a crise econômica
que o Brasil enfrenta com mais de 12 milhões de desempregados e uma
inflação com índice de 10,5% ao ano, é de se admirar que ainda tenhamos artistas
empreendedores em nossa cidade.
Mas eu não tinha me dado conta que o concerto era de música
instrumental. Talvez nem tivesse ido. Mas valeu pela caminhada, afinal tenho
estado muito sedentário. E os rapazes nos surpreenderam mais uma vez, pois se a
música tradicional já é difícil de comercializar, o que dirá da música
instrumental? E ainda assim o público, composto de amigos e admiradores
permaneceu fiel até o fim.
- Mãe, acabou? – Diz uma criança impaciente que brinca com
seu carrinho sobre o tapete.
O show foi dividido em três partes, sendo que a abertura ficou por conta de Matheus Colossi e trio que apresentou um jazz rock, com toadas de canção
regional, diria que um pouco insosso. Na sequência o grupo de Josias Zancheta com
seu rock engajado, sutilmente querendo agradar os fãs de rock progressivo e
quase que sufocado pelos efeitos sonoros e finalmente o guitarrista José
Cardoso, o idealizador do projeto com seus solos inconfundíveis. Antes de
iniciar sua apresentação, Cardoso ainda falou de seu EP Saudade, feito em homenagem
à sua avó (que faleceu recentemente), e que traz o tema instrumental “For
Away”, que certamente agradou o público que esteve presente no teatro.
A música instrumental talvez não seja tão popularizada nos
meios digitais. Agora em se tratando de músicos locais, acredito que esse tipo
de música poderia ser também executada em estabelecimentos comerciais em nossa
cidade. Até para contribuir de certa forma com a divulgação de nossos artistas
e músicos serranos.
Foto: Divulgação


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