Carlos Camargo
Hoje é um
daqueles dias em que não consigo me concentrar em nada. É como se eu
fosse um rio caudaloso e estivesse sido tragado por alguma força que não sei
explicar. Também pudera ter de conviver com um co-dependente mesmo que
temporariamente é muito desgastante.
Imagine um rapaz que sai para receber uma quantia em
dinheiro por um acordo trabalhista e que não volta para casa. Assim é a vida de
Alisson, 29 anos, que esteve em minha casa neste fim de semana, sóbrio, fazendo
planos de cortar o cabelo, comprar uma peça de roupa, chinelos e até uma
garrafa de vinho..
- Ah cara, não me faça rir. Aposto que você nem vai voltar hoje!
Digo isso por experiência própria. E dito e feito! Muitas
vezes ele volta bêbado e tarde da noite. Para quem convive com pessoas indisciplinadas
e sem propósito na vida, fica o meu desabafo.
Tenho certeza que muitas famílias sofrem com esse tipo de situação.
Mas eu garanto que não é nada agradável, conviver com índoles dessa natureza. Quando
tentamos ajudar é como acender uma vela na escuridão. Achar que o usuário de
substâncias químicas vai querer parar com os maus hábitos é como acreditar em
Papai Noel. É quase impossível! Só por misericórdia mesmo!
E agora estamos aqui, nesta tarde ensolarada de
segunda-feira. Gratos pela benção de termos uma vida satisfatória. Com a possibilidade
de sonhar e batalhar por nossos objetivos. Ao menos é nisso que eu acredito.
Como quem não quer nada, encontro um vídeo no Youtube que me
faz parar e pensar no quão breve é a vida! É quando uma fã do ator Corey Haim,
um canadense que morreu em 10 de março de 2010, aos 38 anos, mostra sua visita no
túmulo do ator, num cemitério em Toronto. Para quem é admirador desse ator, o
vídeo é tão atual, que nos emociona. E mesmo o idioma não é barreira quando nos
deixamos guiar pelo coração. O vídeo começa com um dia chuvoso, que termina com
a visita numa lápide de mármore, onde as pessoas depositam pedras para marcar
que estiveram ali.
Corey Haim foi um ator-mirin que iniciou sua vida artística
aos doze anos, e que posteriormente teve muitas dificuldades quando adulto
devido ao uso indiscriminado de substâncias. Tendo uma carreira de sucesso no
cinema com filmes que conquistaram muitos admiradores na década de 80 e 90. A filmografia
é bem eclética, com títulos que foram campeões de bilheteria e de exibições na
sessão da tarde. A primeira vez que assisti uma película em que Corey Haim
atuava como protagonista, foi no filme adaptado da obra de Stephe King – Silver
Bullet (EUA 1985), com o título em português A Hora do Lobisomem.
A vida é cheia de surpresas e quando me deparo com notícias
sobre Haim, em que falam de sua vida pessoal, expondo-o de maneira perniciosa,
acredito que isso muito entristece aos fãs. Pois, de nada adianta mexer no
passado obscuro de alguém quando se sabe que a pessoa não está mais entre nós
para se defender. Nesse sentido que eu acho que precisamos deixar o rio correr
para que possamos encontrar sentido para nossas vidas e quem sabe encontrar - a
paz!



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